GenÉtica: escolhas que nossos avós não faziam

Data: 31/05 às 15h
Local: Auditório do Bloco Didático da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto (FMRP-USP)
Inscrição gratuita: Clique aqui

Células tronco, DNA, genoma. Muito se fala sobre esses assuntos na mídia e na universidade, mas ainda falta entendimento por boa parte da população sobre a real influência da genética em nossas vidas – e, principalmente, de que forma ela pode ser usada a nosso favor. 

Para esclarecer mais a respeito desse tema, o Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP promoverá no dia 31 de maio, a partir das 15h, a conferência “GenÉtica: escolhas que nossos avós não faziam”, com a geneticista e docente do Instituto de Biociências da USP Mayana Zatz. O evento será realizado no auditório do Bloco Didático da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. 

A geneticista vai abordar temas discutidos em seu livro de mesmo nome. Nele, ela utiliza histórias verídicas, ocorridas com pessoas que procuraram sua equipe para aconselhamento genético, para exemplificar avanços genéticos, dilemas éticos e como é importante continuar investindo nessa área da ciência. 

O aconselhamento genético é uma consulta que inclui procedimentos e orientações sobre doenças genéticas para que os pacientes e as famílias tomem as melhores decisões em relação a tratamentos e planejamento familiar. 

Sobre Mayana Zatz: possui doutorado em genética pela USP e pós-doutorado em genética humana pela Universidade da Califórnia. É coordenadora do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e Células-Tronco, um dos centros de pesquisa, inovação e difusão (Cepids) financiados pela Fapesp. Foi membro do Projeto Genoma Humano, um esforço internacional para o mapeamento do genoma humano e a identificação de todos os nucleotídeos que o compõem. Também participou ativamente da aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias pelos parlamentares, em 2005 e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2008. 

O evento tem o apoio da Rádio USP Ribeirão Preto.

Mais informações: jhenrique@usp.br ou (16) 3315 0368.

Modelo de trabalho baseado na indústria acentua invisibilidades no setor de serviços

Pesquisas que envolvem aspectos relacionados ao trabalho geralmente se baseiam em modelos ligados à indústria. Porém, o setor de serviços apresenta características muito diferentes do setor industrial, o que acaba gerando métodos de trabalho que reproduzem uma série de invisibilidades. O docente da Universidade do Quebec em Montreal (UQAM) Angelo Soares, explicou de que forma essas invisibilidades estão presentes no cotidiano de prestadores de serviço em evento realizado pelo Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP nesta quinta (10), na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP.

Baseando-se na obra do professor de filosofia francês Emmanuel Renault, Soares abordou três tipos de invisibilidades no mundo do trabalho contemporâneo: a negação, quando um dominante exprime sua superioridade não reconhecendo as competências do trabalhador para executar determinada tarefa; o eufemismo, ou seja, uma minimização das competências do profissional; e a espetacularização ofuscante, quando joga-se um foco sobre determinado aspecto de maneira intensa, desprezando-se outras partes importantes, como a própria organização do trabalho e os métodos de gestão.

O docente pesquisou diversos aspectos do trabalho no setor de serviços tanto no Canadá, onde reside atualmente, quanto no Brasil. De acordo com dados do IBGE de 2016, 69% da população empregada no País está no setor de serviços. “No Canadá, mais especificamente no Quebec, esse número chega a 79%. Apesar disso, o trabalho na indústria ainda é utilizado como modelo para representar o trabalho como um todo”, explica.

Segundo ele, as relações sociais interferem diretamente nas atividades profissionais e produzem diferentes tipos de trabalho. Mas Soares critica a separação e a hierarquização baseadas em relações de raça, etnia, gênero e idade, entre outras. “Por exemplo, existem trabalhos para homens e trabalhos para mulheres e esses trabalhos não são valorizados da mesma maneira, ou seja, existe uma hierarquização. Mesmo hoje, apesar de todo o movimento feminista, nos países ocidentais, as mulheres ganham 70% do salário dos homens. E não é porque existe uma diferença de salário. É porque homens e mulheres não estão concentrados nos mesmos tipos de empregos. E como esses tipos de empregos masculinos são mais valorizados, eles ganham mais que as mulheres. Porque as competências para esses trabalhos desempenhados pelas mulheres são geralmente invisíveis”, afirma.

Em sua pesquisa, Soares entrevistou operadores de caixa em supermercados do Brasil e do Canadá. Ele levou em consideração tanto os aspectos culturais quanto os sociais. “No Brasil, por exemplo, os operadores de caixa trabalham sentados. Já no Canadá, eles trabalham em pé, porque ficar sentado pode passar uma imagem de que são preguiçosos”, conta.

A partir dos depoimentos, ele identificou cinco dimensões que nem sempre são mensuradas em termos de valor atribuído ao trabalho: a dimensão física, relacionada ao esforço físico que o profissional realiza; dimensão cognitiva, ligada ao conhecimento necessário para executar as tarefas; dimensão corporal, relativa à incidência de normas sobre o corpo do trabalhador, tornando-o parte necessária para o cumprimento de determinadas tarefas; dimensão emocional, que determina a gestão das emoções; e dimensão relacional, ligada às relações estabelecidas entre o trabalhador e as pessoas envolvidas em suas atividades.

“Há casos, porém, em que a dimensão física exige questões emocionais e cognitivas. Um exemplo é de uma enfermeira que entrevistei e relatou que às vezes recebe pacientes que não tomam banho há dias e exalam mau cheiro. Ela não pode demonstrar nojo enquanto está atendendo. Então procura pensar no bem-estar que aquele atendimento vai proporcionar à pessoa para tirar o foco de seus pensamentos do mau cheiro”, diz Soares.

Aceitar e compreender essas dimensões, segundo Soares, é romper com a ideia de que o trabalho é algo racional, que pode ser controlado. “Na tecnologia, por exemplo, existem muito mais aspectos humanos entre o apertar uma tecla e o resultado final. Entretanto, hoje há softwares que agem como se o trabalho humano fosse sempre o mesmo”.

O docente destaca que toda profissão é passível de erros, mas eles têm implicações maiores em determinadas áreas, como a saúde. “Muitas vezes, quando o erro acontece, o trabalho se torna visível. Quando alguém erra, há uma espetacularização ofuscante, ou seja, coloca-se o foco somente sobre o erro e não se questiona a organização do trabalho ou os métodos de gestão utilizados”.


Para Soares, violências psicológicas – como o próprio assédio moral – estão mais presentes atualmente e não são resultado de pessoas ruins, mas sim de um contexto organizacional que tolera e catalisa essas violências. “É necessário lutar por uma organização do trabalho e práticas de gestão mais democráticas, centradas em participação, respeito, justiça e ética. As práticas usadas atualmente muitas vezes acabam acentuando as invisibilidades”.

Workshop 2017 Ciência de Fronteira e Desenvolvimento

Data: 26/05, às 8h30
Local: Sala de Concertos da Tulha da USP Ribeirão Preto
Inscrições: Clique aqui
Valores: R$ 20 para público geral e R$ 10 para estudantes


O Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP realiza no dia 26 de maio, a partir das 8h30, no Auditório da Tulha da USP Ribeirão Preto o Workshop 2017 Ciência de Fronteira e Desenvolvimento. 

Uma formação ampla e completa é indispensável para sobrepujar os desafios enfrentados pelo profissional atualmente. Esses profissionais precisam atender as necessidades do mercado e ainda contribuir para o desenvolvimento social e melhorar a qualidade de vida da população. Esse é o tema central das discussões do Workshop.

Programação

O evento começa às 8h30 com apresentação musical. Às 9 horas, o professor José Eduardo Krieger, pró-reitor de pesquisa da USP, fala sobre Pesquisa na USP; logo em seguida, o professor Aldo Zarbin, presidente da Sociedade Brasileira de Química, fala sobre Materiais Avançados na Forma de Filmes Finos: Preparação e Aplicações, seguido de apresentação do professor Antônio Cláudio Tedesco, da FFCLRP, sobre Nanotecnologia: Uma Ferramenta Poderosa a Serviço da Saúde.

No período da tarde, a partir das 14 horas, o professor Carlos Gilberto Carlotti Junior, pró-reitor de pós-graduação da USP, fala sobre a Pós-Graduação na USP. 


Em seguida, será realizada a mesa-redonda: Ciência, Gestão da Inovação, Saúde, Direito e Desenvolvimento, com os professores Geciane Silveira Porto, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP; Rodrigo Stabeli, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e coordenador da Plataforma Bi-Institucional de Medicina Translacional da Fiocruz); Gustavo Assed Ferreira, da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP; e Richard Ward, da FFCLRP. A mediação fica por conta do professor Pietro Ciancaglini, diretor da FFCLRP. Ao final, abre-se a sessão de pôsteres.

A atividade conta com o apoio do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e Rádio USP Ribeirão Preto.

Eventos analisam criminologia no cenário internacional

Quem acompanha o noticiário policial desconhece que por trás de todo o processo de investigação e punição de um crime – e até mesmo da própria prevenção a ele – está uma ciência interdisciplinar que tem ganhado bastante atenção nas últimas décadas dentro da universidade: a criminologia.

Nos dias 25 e 26 de abril, dois eventos no campus Ribeirão Preto da USP debateram e trouxeram atualizações sobre esse tema, inclusive com palestrantes internacionais. A conferência “Políticas criminais e de segurança” e o II Seminário Internacional de Criminologia foram organizados pelo Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto da USP, pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Desenvolvimento e Intervenção Psicossocial (GEPDIP) da USP e pela Organização Comunitária Santo Antônio Maria de Claret.

Entre os palestrantes, estava o diretor da Faculdade de Direito da Universidade do Porto Cândido da Agra, um dos grandes estudiosos internacionais da criminologia. Em uma videoconferência, ele abordou a história e as características da criminologia como sistema de pensamento e destacou sua importância para compreender o crime e a violência como fenômenos atuais.

“Não há uma só causa para o crime, há várias. Há fatores que se conjugam, fatores biopsicossociais. Não há um delinquente nato e não há um tipo constitucional de delinquente: qualquer pessoa normal pode ser um delinquente”, diz ele.

Para Agra, a criminologia não é uma moda, já que desde os anos 80 vem atingindo um patamar chamado pelo filósofo e historiador Michel Foucault de epistemologização ou cientificização. Há novos ramos dessa ciência em desenvolvimento, como a criminologia experimental, que dá continuidade aos estudos de delinquência juvenil e prega que é necessário agir mais cedo em relação às trajetórias de delinquentes, e os setores ligados ao crime cibernético, que desperta grande preocupação.

“Os criminosos são doutores, uns em economia, outros em cibernética. Estamos longe de acompanhar totalmente as inovações que nascem no crime através das novas tecnologias, da informática. Há 30, 40 anos, ainda estávamos no limbo da revolução cientifica e tecnológica. Não acreditem que os delinquentes são ignorantes, que não tem mais formação em informática que nós”, afirma Agra.

Avaliação da segurança em Portugal e Cabo Verde

Além de abordar questões relacionadas à violência e ao fenômeno do crime no Brasil, os dois eventos também apresentaram um panorama do que acontece em outros países de língua portuguesa, como Portugal e Cabo Verde.

Docente da Escola de Criminologia da Faculdade de Direito da Universidade do Porto, Carla Cardoso realiza estudos para avaliar políticas públicas relacionadas à segurança implantadas na cidade do Porto, em Portugal. Uma pesquisa orientada por ela mapeou questões sobre o sentimento de insegurança na população local, utilizando entrevistas e reconhecimento de fotografias, além de uma técnica conhecida como eye tracking, que identifica o caminho do olhar de uma pessoa ao se deparar com uma imagem.

Segundo ela, a percepção de que a segurança e o sentimento de insegurança eram fenômenos que precisavam ser estudados deu-se nos anos 60, nos Estados Unidos. Trinta anos depois, começou-se a aplicar esses estudos também em Portugal, pois embora o país não apresentasse grandes taxas de criminalidade, a população relatava sentimento de insegurança e medo do crime.

“Esses estudos podem dar pistas para quem está por trás das tomadas de decisão. Por exemplo, perceber melhor como se pode construir o espaço urbano. Essa é uma dimensão importante para o dia a dia das pessoas. Quando o medo interfere na qualidade de vida de uma pessoa, ela deixa de fazer coisas importantes, como uma caminhada recomendada pelo médico que não é feita porque ela tem medo de sair à rua”, afirma.

Já em Cabo Verde, o fenômeno criminal não é homogêneo. O docente do Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais de Cabo Verde João Francisco de Brito dos Santos abordou as características da violência em seu país.

“Lá existem basicamente os mesmos problemas de outros países em termos de fatores que favorecem o crime. Mas há estabilidade política. Entretanto, um estudo comparativo feito por pesquisadores da Universidade de Coimbra mostrou que a criminalidade na Guiné Bissau é muito inferior à de Cabo Verde – e lá existe uma instabilidade terrível desde a década de 80. Já foi até considerado um narcoestado pela comunidade internacional. E como é possível? A resposta é óbvia: em Cabo Verde há muito mais coisas para roubar à disposição do ladrão”, conta ele.

Innocence Projects

A ideia de crime está associada à ideia de uma penalidade para quem o comete. Mas nem sempre quem realmente cometeu um determinado crime é o condenado. Segundo o docente da Universidade Estadual de Maringá e da Unicesumar Gustavo Noronha de Ávila, isso acontece devido ao principal tipo de prova usado no processo: a memória da testemunha.

Ávila explica que a formação da memória obedece a um processo envolvendo etapas de estímulo, codificação, armazenamento e recuperação. Por isso, o fator tempo é fundamental para se produzir uma prova de qualidade baseada no depoimento da testemunha. Caso contrário, o risco de se condenar alguém em virtude de uma falsa memória aumenta.

“Falsas memórias são distorções, lembranças que contêm dados que não correspondem ao que aconteceu no passado. Ela não revela uma intenção da pessoa em alterar realidade de fatos. É gerada espontaneamente, por sugestão de terceiros e acaba sendo representação da realidade como pessoa a enxerga”, diz ele.

O próprio processo de ouvir a testemunha, segundo ele, está repleto de equívocos. Um dos métodos usado, chamado show up, envolve apresentar apenas uma foto ou um suspeito, o que pode acabar confundindo as memórias. Além disso, nas entrevistas feitas com a testemunha são realizadas, na grande maioria, perguntas fechadas, que limitam as respostas e também podem gerar conclusões erradas.

Para tentar evitar que inocentes acabem pagando por crimes que não cometeram, foi criado nos Estados Unidos em 1992 o Innocence Projects. Trata-se de um instituto sem fins lucrativos que se dedica a tentar absolver pessoas injustamente presas realizando um exame mais criterioso das provas – e pleiteando indenizações para os condenados quando sua inocência fica provada. Atualmente, ele se tornou uma rede e está presente em diversos países, entre eles o Brasil.

“O projeto chegou ao Brasil em dezembro de 2016, em parceria com o Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD). Por enquanto, estamos fazendo uma seleção por amostragem a partir de casos recebidos pela Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Também estamos traduzindo para o português o formulário aplicado pelo Innocence Projects aos apenados”, conta Ávila.

Segundo ele, o projeto pretende ainda estimular discussões sobre causas sistêmicas da condenação de inocentes, inclusive com produção de dados sobre erros judiciais, além de realizar cursos de capacitação para agentes públicos sobre os melhores procedimentos para ouvir as testemunhas e fomentar mudanças legislativas e estruturais para prevenir condenações injustas.

Legalização das drogas

A política de combate às drogas em vigor atualmente no País também contribui para o inchaço das prisões. O docente da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP Victor Gabriel Rodriguez mostrou em sua palestra que a legalização das drogas poderia ser uma saída para melhorar o cenário carcerário brasileiro.

Ele citou estatísticas que apontam o tráfico como razão de 28% das detenções. No caso das mulheres, esse número sobe para 65%. A implantação da Lei de Drogas, em 2006, trouxe um aumento de 25% no encarceramento, embora a proposta fosse de penas mais brandas para usuários. Rodriguez lembrou ainda que a extensa fronteira com países produtores de drogas torna a vigilância praticamente impossível.

“Vivemos uma guerra às drogas. Mas a finalidade de uma guerra é a paz. Não faz sentido declarar uma guerra sem saber qual termo de paz se deseja celebrar. Vemos, de um lado, cenas no Rio de Janeiro em que policiais matam traficantes rendidos, mas veja: os matam sem revolta da sociedade. Tirando nós, que vivemos em bolhas sociais de direitos humanos, a sociedade vibra quando morre um traficante. Nossa guerra está vencida, não há termo final”, afirma ele.

Para Rodriguez, a proposta de descriminalização não será uma falta de regulamentação. Ele citou como exemplo substâncias psicotrópicas legais que são vendidas de forma controlada nas farmácias e causam até mais dependência que outras drogas ilegais. “Se a pessoa obtém a droga pelo Estado, não existe o agente que quer viciá-la, como o traficante faz. Também teríamos uma série de vantagens de assistência ao usuário, de auto-responsabilização e, principalmente, de estrangulamento do dinheiro do crime. Ninguém vai conseguir fazer com que o crime deixe de existir enquanto ele movimentar um trilhão de dólares por ano”.

Invisibilidades nos Mundos do Trabalho Contemporâneo

Data: 10/05, às 15h
Local: Anfiteatro Prof. Dr. Ivo Torres, Bloco A (FEA-RP)
Inscrições: Clique aqui


O Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP e a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP realizam no dia 10 de maio, a partir das 15h, no anfiteatro Prof. Dr. Ivo Torres da FEA-RP, a conferência “Invisibilidades nos Mundos do Trabalho Contemporâneo”. 

O docente da Universidade do Quebec em Montreal (UQAM) Angelo Soares vai discutir basicamente três tipos de invisibilidade no trabalho: a negação, quando não se reconhece o trabalho ou as competências necessárias para sua realização; o eufemismo, que minimiza as competências do trabalho realizado; e a espetacularização, que dá destaque apenas para alguns aspectos do trabalho, ofuscando outras dimensões importantes.

No evento também serão analisadas invisibilidades típicas do trabalho no setor de serviços, como as emoções e o uso do corpo, as diferentes relações sociais (gênero, raça, idade e classes, entre outras) e as violências e problemas de saúde mental.

O evento conta com o apoio da Rádio USP Ribeirão Preto.

Angelo Soares: é professor titular no Departamento de Organização e Recursos Humanos da Escola de Ciências da Administração da Universidade do Quebec em Montreal, no Canadá.  Suas pesquisas abordam as emoções no trabalho, o assédio moral e outras formas de violência no trabalho, o trabalho das mulheres e a saúde mental no ambiente profissional. É também professor visitante na USP, Unesp, UnB, PUC-SP e na University of Economics de Ho Chi Minh, no Vietnã. 

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Divulgação científica enfrenta falta de incentivo financeiro e institucional

Quando se fala em divulgação científica, o incentivo para que ela se torne uma cultura no Brasil deve ir além da questão financeira. Esse foi um dos principais focos da discussão realizada durante o evento Difusão científica na prática: projetos e possibilidades, realizado no último dia 17 pelo Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.

Segundo a coordenadora do festival de divulgação científica Pint of Science Brasil Natália Pasternak Taschner e o docente do Instituto de Física da USP Mikyia Muramatsu, que participaram como palestrantes no evento, a própria universidade deve quebrar seus preconceitos e se envolver mais intensamente na difusão de pesquisas científicas à sociedade.

“Fazer divulgação científica hoje é algo voluntário. Não existe retorno financeiro e nem incentivo ou reconhecimento dentro da universidade. Enquanto não existirem políticas públicas e institucionais de fomento, isso vai ser feito apenas por quem realmente gosta e está disposto a sacrificar seu tempo livre. Tem alunos de pós-graduação que se interessam, que gostam de fazer divulgação científica. E se isso valesse crédito na pós? É preciso criar situações propícias, pois dificilmente um aluno de doutorado vai parar suas pesquisas para fazer divulgação”, diz Natália.

“A academia precisa também fazer uma autocrítica. Vejo no instituto poucos professores que se dispõem a atender a imprensa, pois acreditam que os jornalistas deturpam tudo o que eles dizem. Às vezes o jornalista pede algo estrambólico, sobre o fenômeno de uma santa que aparece em um vitral ou uma pulseira holográfica usada por uma celebridade. Mas é a ciência que está falando, a USP. Por isso ele precisa colaborar”, afirma Muramatsu.

Os palestrantes destacaram ainda a importância de se estimular iniciativas que promovam divulgação da ciência, considerando os cortes realizados recentemente pelo governo no orçamento que podem prejudicar o futuro das pesquisas – e da própria sociedade – no Brasil.

“Ninguém é obrigado a fazer divulgação científica, mas essa postura gera uma certa vulnerabilidade para o próprio pesquisador, e é exatamente isso que estamos sentindo atualmente. Daí vemos um corte de 44% no orçamento do ministério porque ninguém entende o real valor da ciência e da tecnologia para a sociedade”, lembra Natália.

Muramatsu reforçou também a necessidade de se investir no ensino de ciências, ação que ele busca por meio do projeto Arte e Ciência no Parque, que já foi levado a 100 mil pessoas em parques e escolas de ensino fundamental e médio de São Paulo. “A educação científica ajuda a melhorar o exercício da cidadania. Um cidadão bem formado vai saber votar melhor. Além disso, a ciência proporciona inclusão social. No Brasil, apenas 1% da população frequenta museus de ciência. Na Europa, esse percentual é de 25%. Faltam museus, falta pesquisa mostrando a interação entre o ensino formal e o informal [realizado em museus e espaços fora das escolas] e faltam laboratórios nas escolas. De acordo com o INEP, somente 20% das escolas têm laboratórios de ciências. Não é à toa que temos um resultado tão ruim no PISA [em português, Programa Internacional de Avaliação de Alunos]”.

Coordenadora do Pint of Science, um festival internacional de divulgação científica que é realizado simultaneamente em 11 países durante três noites, Natália também tem outras iniciativas de divulgação científica, como o blog Café na Bancada, uma coluna em uma revista de saúde e um projeto que leva atividades sobre ciências a escolas particulares de São Paulo. Mas, para ela, o Pint of Science foi a que teve maior sucesso.


“Foi algo inesperado, não imaginávamos que ia dar tão certo. Em 2015 foram sete cidades, este ano são 22 e eu já tenho uma lista de 30 para 2018. Os bares lotaram em todas as noites, o que mostra que o cientista quer falar e a população quer ouvir. Acredito que deu certo porque você consegue transformar a ciência em uma conversa de bar, um programa para fazer com o namorado, a família. E tem um impacto positivo, porque ainda que seja um programa pontual, quem esteve ali vai começar a olhar a ciência de forma diferente”, afirma.

Third International Symposium on Inflammatory Diseases

Data: de 21 a 23 de Junho
Local: Auditório da Faculdade de Direito da USP Ribeirão Preto
Inscrições: Clique aqui

Sociedade Brasileira de Inflamação (SBIn) e o Centro de Pesquisas em Doenças Inflamatórias (CRID) promovem entre os dias 21 e 23 de junho o Third International Symposium on Inflammatory Diseases - Inflamma III. O evento será realizado no auditório da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP.

O simpósio colocará estudantes e profissionais da área em contato com as pesquisas mais recentes em doenças inflamatórias como lúpus, zika, dengue e diabetes, entre outras. Neste ano, a programação traz oito palestrantes internacionais, além de 14 palestrantes de diversas universidades e instituições de pesquisa brasileiras.

As submissões de trabalhos para apresentação oral ou pôster podem ser feitas até o dia 14 de maio. As regras e orientações podem ser acessadas neste link: 
http://symposiumcrid.fmrp.usp.br/submissions

Todas as palestras serão em inglês. As inscrições podem ser feitas até a data do evento, porém os participantes que se inscreverem até 14 de maio pagarão valores menores. A programação completa, datas, valores e formulário de inscrição estão disponíveis no site do evento: http://symposiumcrid.fmrp.usp.br

O Inflamma III tem apoio do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP, Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Núcleo de Apoio à Pesquisa em Doenças Inflamatórias (NAP-DIN) da USP, Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, Santander Universidades, Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Assistência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (Faepa) e Inopat.


Mais informações: (16) 3315-4526 ou  (16) 3315-9051.