Desenvolvimento dos países pode ser medido pela felicidade


Quando se fala em analisar o progresso de uma nação, o índice mais utilizado é o Produto Interno Bruto (PIB), focado em aspectos puramente econômicos. Porém, um outro indicador, que leva em consideração o bem-estar da população, começa a ganhar espaço: a Felicidade Interna Bruta (FIB). Para discutir esse assunto, o USP Analisa desta semana conversa com as docentes da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP Luciana Romano Morillas e Emanuele Seicenti de Brito.

Segundo Emanuele, a FIB leva em conta nove aspectos. “Ela considera o bem-estar psicológico, que inclui questões como auto-estima e estresse; políticas de saúde e hábitos que prejudicam ou melhoram a saúde; o uso do tempo, incluindo tempo para lazer e para a família; a vitalidade comunitária, ou seja, o nível de interação com a sociedade em geral; a educação, a cultura e as oportunidades de desenvolver atividades artísticas; o meio ambiente, ou seja, a percepção da população em relação à qualidade da água e do ar, bem como o acesso a áreas verdes; a governança; a representatividade social em órgãos públicos; e, por último, o padrão de vida, a renda familiar e a qualidade de moradia”, explica.

Para Luciana, embora o conceito de felicidade seja subjetivo, é importante mudar o foco dos indicadores. “A ideia, quando a gente fala isso no âmbito de país, de indicadores, é que o Estado tem a obrigação de me fornecer aspectos básicos para que eu possa ser feliz. A ideia é mudar um pouco a visão: em vez de se olhar somente para o dinheiro, se eu trabalho 40 horas, 50 horas, 60 horas por semana, o que eu faço com o dinheiro que eu ganhei? Não adianta nada ter dinheiro se eu não posso usar esse dinheiro de forma a trazer bem-estar”.

A docente explica que embora o direito à busca da felicidade esteja explicitado na legislação de outros países, no Brasil não há essa clareza. Porém, em decisões recentes do Judiciário, esse princípio começou a ser utilizado. “Um dos usos emblemáticos foi na ADPF [Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental] 132, que garante o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O fundamento dela é a busca da felicidade. A gente tem uma situação bastante complexa, mas em razão do princípio da dignidade da pessoa humana, que é um dos fundamentos da república brasileira e do qual faz parte o direito à busca da felicidade, ele autoriza que o Judiciário deixe que as pessoas se casem. Não dá ônus para o Estado e nem para ninguém. O Estado está só deixando de interferir”, diz Luciana.

Apesar desse tema ser objeto de estudo do Direito, as docentes fazem um paralelo com a área de Administração, já que muitas empresas têm investido em iniciativas que trazem felicidade aos trabalhadores. “A gente não precisa necessariamente que o Estado dê direitos, mas que as empresas deem direitos aos seus trabalhadores. Quando a empresa percebe que o trabalhador feliz produz mais, ela percebe que ela está ganhando com isso. Existe um reflexo econômico”, afirma Luciana.

“É interessante as empresas pensarem da forma reversa: não produzir mais para ser feliz, mas sim ser feliz para produzir mais. Colocar a felicidade em primeiro lugar”, complementa Emanuele.

O programa vai ao ar na Rádio USP Ribeirão Preto nesta sexta (16), a partir das 12h, e na Rádio USP São Paulo na quarta (21), a partir das 21h. O USP Analisa é uma produção conjunta da USP FM de Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.

Importância da literatura na vida do cidadão é tema do USP Analisa


Despertar o interesse pela leitura em crianças e adolescentes é fundamental para formar cidadãos capazes de analisar criticamente o mundo ao seu redor. Para debater de que formas a leitura pode influenciar positivamente a vida das pessoas, o USP Analisa desta semana conversa com a presidente da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto Adriana Silva e a docente da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, Elaine Assolini.

Para Elaine, pessoas que não têm acesso ao universo da literatura têm dificuldades não apenas na interpretação de mundo, mas também na comunicação. “Esse sujeito tem dificuldade no processo de diálogo, interpretar os fatos e acontecimentos à sua volta, dificuldade para argumentar. A leitura transforma o sujeito e ela pode proporcionar esse processo de transformação independentemente da escolarização. E isso é muito importante de ser apontado. Porque o sujeito pode não estar mais no âmbito escolar, no contexto escolar, ter aprendido a gostar de ler, ter se aproximado do universo de leitura e continuar sendo um leitor ao longo da sua vida”.

Outro ponto abordado pelas entrevistadas é a mudança nos ambientes das bibliotecas. “Essa biblioteca de hoje tem computador, tem internet, é um ponto de encontro. Não é só mais um espaço onde se guardam os livros. É um casamento perfeito a internet com a biblioteca. Defendo que as duas coisas combinam muito bem, porque a internet me dá três ou quatro páginas, me dá uma resenha do livro, não é toda vez que você tem o livro todo. Então eu vou à internet, faço uma primeira imersão no tema, tenho o nome de autores, porque a internet vai me indicando o que ler, desligo o computador e vou à biblioteca pegar aqueles livros”, explica Adriana.

O programa vai ao ar na Rádio USP Ribeirão Preto nesta sexta (9), a partir das 12h, e na Rádio USP São Paulo na quarta (14), a partir das 21h. O USP Analisa é uma produção conjunta da USP FM de Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.

VII Seminário sobre rotas tecnológicas

Data: 22 e 23 de março
Local: Supera Parque de Inovação e Tecnologia
Inscrições: www.seminariobiotecnologia.com.br


Nos dias 22 e 23 de março ocorrerá o VII Seminário Sobre Rotas Tecnológicas da Biotecnologia no Brasil, no Supera Parque de Inovação e Tecnologia. 

O evento reunirá docentes, pesquisadores, estudantes e empresários de diferentes regiões do país para discutir as rotas tecnológicas da biotecnologia com o propósito de identificar as oportunidades de fomento à pesquisa e a sua transferência para utilização na indústria nacional.

O seminário tem como objetivo criar um ambiente no qual os participantes possam interagir e trocar experiências, discutir os principais desafios ligados à biotecnologia, assim como debater as estratégias de cooperação e prospectar oportunidades de ações conjuntas.

Os participantes podem submeter trabalhos até o dia 18 de fevereiro dentro de três categorias: experiências empreendedoras em biotecnologia; oportunidades tecnológicas em biotecnologia; e identificação de tecnologias emergentes.

Os valores de inscrição são R$40,00 para estudantes e R$80,00 para profissionais. O formulário de inscrição e mais informações estão disponíveis no site: www.seminariobiotecnologia.com.br

O seminário é uma realização do Núcleo de Pesquisa em Inovação, Gestão Tecnológica e Competitividade – InGTeC, em parceria com a Agência USP de inovação – AUSPIN, FEARP/USP e com a FIPASE – Fundação Instituto Pólo Avançado de Saúde de Ribeirão Preto e Instituto de Estudos Avançados da USP, Polo Ribeirão Preto (IEA-RP), com o patrocínio do CNPq e da CAPES.

Mudanças no processo de adoção são tema do USP Analisa


Cerca de oito mil crianças aguardam em instituições de acolhimento em todo o Brasil pela chance de ter uma nova família. Já o número de famílias interessadas em adotar é pelo menos quatro vezes maior. Para discutir os procedimentos de adoção no País e as recentes modificações feitas na legislação, o USP Analisa desta semana recebe o docente da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP Rubens Beçak.

Para ele, as alterações feitas em novembro trouxeram uma série de benefícios, principalmente em relação ao tempo de conclusão do processo, que foi fixado em 120 dias. “O grande mérito dessa alteração é fixar prazos mais exíguos para que os procedimentos de verificação dos processos todos envolvidos nesse procedimento sejam seguidos para que a gente consiga alocar aquelas crianças em condição de irem para uma nova família, serem adotadas definitivamente”, diz.

Outra alteração importante, segundo o docente, foi a regulamentação da possibilidade de apadrinhamento de crianças, que permite à família interessada na adoção ou mesmo qualquer outra família proporcionar passeios e conviver com essas crianças por períodos curtos de tempo. “Acho que isso é muito bem-vindo, pois muitas vezes percebemos que é necessária uma fase de acomodação, tanto da criança quanto da família ou da pessoa que quer adotar. Ela precisa conhecer a criança que tem em vista”, afirma Beçak.

As mudanças permitiram, inclusive, que o apadrinhamento seja feito também por pessoas jurídicas. “Por que não uma pessoa jurídica que tem condições, em determinados dias da semana, feriados, de dar condições de férias, lazer, uma vida melhor àquelas crianças? Acho que a legislação vem nesse sentido e é algo que vejo com bons olhos”, destaca.

O docente defende ainda que haja uma aceitação mais ampla da possibilidade de famílias estrangeiras adotarem crianças brasileiras. “Acho que temos uma resistência muito grande no Brasil a práticas de adoção internacional, talvez ainda presos num preconceito, um temor de que as crianças serão destinadas a práticas ilícitas. O melhor é que as crianças sejam colocadas em famílias nacionais, mas se isso não for possível, por que não facilitar a adoção internacional? O número de pessoas que querem adotar em países europeus é enorme e muitas vezes até preferem crianças mais velhas. É um fator que nós deveríamos refletir, porque a legislação sempre deve vir, na minha maneira de ver, para melhorar”, diz ele.

O programa vai ao ar na Rádio USP Ribeirão Preto nesta sexta (2), a partir das 12h, e na Rádio USP São Paulo na quarta (7), a partir das 21h. O USP Analisa é uma produção conjunta da USP FM de Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.

III Workshop Toxicologia Forense

Data: 5 a 9 de março de 2018
Local: Auditório do Bloco R da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP Ribeirão Preto
Valores e inscrições: Clique aqui


Para discutir aspectos da teoria e prática em Toxicologia Forense, desde o laboratório até os tribunais de justiça, a Sociedade Brasileira de Ciências Forenses (SBCF) promove entre os dias 5 e 9 de março, na USP Ribeirão Preto, o III Workshop de Toxicologia Forense. 

O evento vai apresentar e debater procedimentos da rotina pericial, como a coleta de amostras, a análise em laboratório e os principais métodos e técnicas, a emissão de laudos com os resultados, bem como a apresentação no julgamento e suas principais implicações. 

As aulas teóricas e práticas serão apresentados no Auditório do Bloco R da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto/USP e no Laboratório de Análises Toxicológicas Forenses do Departamento de Química da FFCLRP/USP respectivamente, pelos professores Aldo E. Polettini (Universidade de Verona - Itália), Jesus Antônio Velho (Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto/USP e Departamento da Polícia Federal) e Bruno Spinosa De Martinis (Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto/USP). A Coordenação do workshop é do docente da FFCLRP/USP Bruno Spinosa De Martinis. 

Aldo E. Polettini é graduado em Ciências Biológicas pela Universidade de Milão, doutor em Ciências Forenses pela Universidade de Verona e pós-graduado em Toxicologia Forense pela Universidade de Pavia. É membro da Associação Internacional de Toxicologistas Forenses (TIAFT), da Society for Hair Testing, do Observatório Europeu para Drogas e Toxicodependência e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Também é docente da Escola de Medicina e Cirurgia da Universidade de Verona, na Itália. 

Jesus Antônio Velho tem graduação em Farmácia Bioquímica pela Universidade Estadual de Londrina e doutorado em Fisiopatologia Médica pela Unicamp. É professor da área de Ciências Forenses/Criminalística da FFCLRP/USP e atua também como perito criminal do Departamento de Polícia Federal. 

Bruno Spinosa De Martinis tem graduação em Química pelo Instituto de Física e Química de São Carlos/USP e doutorado pelo Instituto de Química/USP. É professor da área de Química Analítica e Química Forense da FFCLRP/USP.

O Workshop tem apoio do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto/USP, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto/USP e da AGeventos Assessoria. 

Os valores são R$ 150,00 para alunos de graduação, R$ 170,00 para pós-graduandos e R$ 200,00 para profissionais. Sócios da SBCF terão desconto de R$ 50,00.

V Ciclo de Palestras em Psicobiologia

Data: 22 a 24 de janeiro
Local: Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP Ribeirão Preto
Inscrições: Clique aqui

Para trazer os avanços e perspectivas da psicobiologia no Brasil e no exterior, o Programa de Pós-Graduação em Psicobiologia da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto (USP-RP) realiza entre os dias 22 e 24 de janeiro o V Ciclo de Palestras em Psicobiologia. 

O evento é parte do XII Curso de Verão em Psicobiologia, que tem como objetivo divulgar as linhas de pesquisa do programa, difundir os conhecimentos da área de Psicobiologia e possibilitar o intercâmbio de informações e experiências entre alunos de diversas instituições de ensino e pesquisa. 

Entre os temas que serão abordados nas palestras estão o uso do canabidiol, os traumas infantis e a psicopatologia evolucionista. Participam como palestrantes o pesquisador do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP Daniel Fuentes, o docente do Departamento de Psicologia da PUC-Rio Jesus Landeira-Fernandez, as docentes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Carine Savalli Redigolo e Deborah Suchecki, o diretor do Instituto Glia de Ribeirão Preto Marco Antonio Arruda, a supervisora do Serviço de Residência em Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP Ribeirão Preto Cristiane Von Werne Baes, o pós-doutorando no Departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP Rafael Guimarães dos Santos, a docente da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP Janete Franci, o docente da Unicamp Neury José Botega, o docente da FMRP-USP Francisco Guimarães, a pós-doutoranda do Instituto de Psicologia da USP Renata Pereira de Felipe e o docente da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP Silvio Morato de Carvalho. 

O evento tem o apoio do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP, Espaço Psi, CNA Ribeirão Preto, Trapa-Câmera e Hotel Dan Inn. 

As inscrições custam R$ 100 até o dia 8 de janeiro e R$ 120 até 14 de janeiro. Mais informações:
http://sites.ffclrp.usp.br/cursoveraopsicobio/ 
ou cursodeveraopsicobiologia@gmail.com

Cultura islâmica é tema do USP Analisa

Após o 11 de setembro, o interesse e a curiosidade pela cultura islâmica cresceram no ocidente, gerando, inclusive, um grande número de conversões. Mas ainda há bastante preconceito em torno de alguns costumes, principalmente em virtude de diferenças marcantes em relação à cultura ocidental. Para discutir e esclarecer essas diferenças, o USP Analisa conversa nesta semana com a docente da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto Francirosy Campos Barbosa.

Ela explica que, antes de qualquer discussão sobre o tema, é importante demarcar o significado da palavra “Islã”. “Eu não uso ‘islamismo’ porque esse é um termo que a gente geralmente usa na academia, tanto francesa quanto inglesa, para se referir ao Islã político. Eu tenho adotado a escrita de ‘Islam’ porque eu uso a escrita em árabe justamente porque a tradução significa ‘paz’. Se uma religião tem na sua raiz a palavra ‘paz’, como pode pregar a guerra, a violência?”, questiona.

Segundo a docente, grupos extremistas como o ISIS ou o Boko Haram seguem um Islã literalista, que não corresponde à maioria dos muçulmanos. “Alguém que lê o alcorão em português está lendo significados do alcorão, porque muitas palavras em árabe não existem em português. É uma adaptação às vezes até grosseira, mas é uma tentativa de interpretar o que está nos textos. Essas são aquelas pessoas que vão pegar o alcorão ao pé da letra e achar que estão praticando a religião. Eu me lembro de uma ação do Daesh [outra denominação do ISIS] queimando uma pessoa. É proibido islamicamente queimar uma pessoa, não existe essa prática. Tudo o que eles fazem é extremamente condenável”.

Francirosy também lembrou a interpretação equivocada que a cultura ocidental faz da mulher muçulmana, principalmente em relação ao uso do véu. “A gente quer que as nossas demandas feministas sejam as mesmas das mulheres do Oriente Médio. Que as demandas de mulheres brancas sejam as mesmas das negras ou das nordestinas. Não são e não devem ser. Eu sou feminista, mas não quero dar o lugar de fala para uma mulher de lenço porque ela é oprimida. Mas essa atitude é uma forma de opressão também”, diz ela.


A entrevista vai ao ar na Rádio USP Ribeirão Preto nesta sexta (15), a partir das 12h, e na Rádio USP São Paulo na quarta (20), a partir das 21h. O USP Analisa é uma produção conjunta da USP FM de Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.