Documentário e debate sobre a trajetória de Celso Furtado

Data: 21/06, às 19h
Local: Cineclube Cauim, Rua São Sebastião, 920 – Centro, Ribeirão Preto.
Entrada franca, sem necessidade de inscrição

No dia 21 de junho, quarta-feira, às 19h, o Cineclube Cauim juntamente com Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, realizará a exibição do documentário “Longo Amanhecer - Cinebiografia de Celso Furtado” (Brasil/2007, 73 min.). A atividade é gratuita e ocorrerá no Cineclube Cauim, Rua São Sebastião, 920 – Centro.

Serão analisadas as ideias do economista Celso Furtado e sua participação em diversos projetos desenvolvidos no Brasil a partir dos anos 40. O objetivo é formar um panorama da história recente do país por meio de depoimentos de intelectuais e de imagens de época.

Após o documentário, haverá um debate conduzido pelos economistas:
•    Amaury Patrick Gremaud – Professor doutor do Departamento de Economia da FEA-RP na Universidade de São Paulo, Diretor da Escola Técnica e de Gestão da USP e coordenador do curso de Economia da FEA-RP/USP.
•    Rudinei Toneto Jr. - Graduação, mestrado, doutorado e Livre-Docência em Economia, Professor do Departamento de Economia da FEARP/USP.
•    Nelson Rocha Augusto – Economista formado pela Unicamp, pós-graduação da PUC- SÃO PAULO, tendo sido pesquisador do CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), hoje é Presidente do Banco Ribeirão Preto, Colunista da rádio CBN e Membro do Conselho Deliberativo IEA (Instituto de Estudos Avançados da USP).

Os palestrantes irão guiar um bate-papo e trocar experiências com os estudantes, que terão a oportunidade de debater sobre a história e a crise da economia.

O evento tem o apoio do Instituto de Estudos Avançados da USP, Polo Ribeirão Preto e Rádio USP Ribeirão Preto.

Neurobiologia precisa de uma nova matemática para compreender o cérebro

Uma proposta ousada e fundamental para a neurobiologia: criar uma nova matemática que ajude a entender como funciona o cérebro. É exatamente esse o objetivo do Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão em Neuromatemática, o Cepid Neuromat. O coordenador do centro, Antonio Galves, esteve no dia 9 de junho em um evento realizado pelo Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP para falar sobre as atividades desenvolvidas.

“O Cepid Neuromat não é um centro de matemática aplicada, no sentido de que ele aplica a matemática já existente para tratar dados experimentais. A matemática que a biologia precisa para entender o cérebro ainda não existe. Ela precisa expressar coisas bem mais complicadas”, afirma Galves.

De forma didática e com exemplos práticos, o coordenador procurou mostrar alguns resultados de pesquisas desenvolvidas pelo centro que mostram como se dá o funcionamento dos processos cerebrais.

“O físico austríaco Ludwig Boltzmann formulou uma hipótese a respeito do cérebro em 1883: o cérebro faz um tipo de inferência inconsciente como forma de sobrevivência. Ele conjectura que o tempo todo você trata os estímulos que chegam do mundo ao seu redor atribuindo um modelo e usando esse modelo para fazer predições. Quando você dirige, por exemplo, é preciso prever uma série de fenômenos, senão o carro acaba sofrendo um acidente. No futebol também é assim. Por exemplo, se você for torcedor do Corinthians, você pode se perguntar como é que o Rodriguinho sabe que, quando chutar a bola, no segundo seguinte o Jô estará lá para receber. E como o Jô sabe para onde deve correr? Provavelmente, os dois analisam a situação, constroem um modelo do que está acontecendo e esse modelo é que o Rodriguinho jogue a bola em um lugar que o Jô está”, explica ele.

Alguns experimentos realizados com a ajuda de um eletroencefalograma (EG) permitem aos cientistas entender de que forma o cérebro consegue processar a informação e prever o que acontecerá no momento seguinte. O coordenador explicou como o exame funciona usando como exemplo um teste conduzido pelo Neuromat, que monitora o comportamento das ondas cerebrais de voluntários durante a repetição de uma sequência de sons, a qual sofre interrupções propositais para simular um efeito surpresa.

“Nós marcamos o intervalo de tempo para cada eletroencefalograma correspondendo a uma batida forte, uma fraca ou uma unidade silenciosa. O EG é uma função. Nós usamos 18 eletrodos. São 18 funções que duram mais ou menos meio segundo cada. Elas traduzem a qualidade do estímulo. A unidade silenciosa constitutiva [que faz parte da sequência determinada pelos pesquisadores], por exemplo, tem um EG diferente da batida fraca apagada em silêncio”, explica.

Galves utiliza o futebol para mostrar como a matemática é utilizada nos estudos de neurobiologia. Ele compara o comportamento dos neurônios a um estádio lotado em dia de jogo, no qual os torcedores utilizam as mesmas camisas e a única forma de identificar para que time eles torcem é analisando suas reações ao longo do jogo.

“Mas e o que a matemática tem a ver com isso? Tem tudo a ver com isso. Nessa variabilidade de comportamentos aparece uma regularidade que mostra que, se nós dois somos flamenguistas, nós vamos torcer ao mesmo tempo, da mesma maneira, embora eu me distraia e ela não, eu esteja chateado porque não preparei bem minha aula... Enfim, se eu pegar todos os comportamentos, eles serão essencialmente os mesmos. Ou seja: o que eu fiz foi atribuir um modelo a um comportamento global. E isso é essencialmente o que faz um neurobiólogo quando ele olha EGs e tenta entender se a evolução desse eletrodo está correlacionada ou não”, afirma o coordenador.

Jogo multifunção

Galves apresentou ainda um jogo para smartphones desenvolvido com o objetivo de levar as experiências desenvolvidas pelo Neuromat a alunos de ensino fundamental e médio. Nele, o jogador atua como o goleiro que precisa pegar o pênalti e deve decidir para que lado pular.

“O que faz o jogador que vai bater o pênalti? Usa uma árvore com probabilidades 2-1-0: 2 representa chutar à direita, 1 à esquerda e 0 ao centro. Mas descobrimos que esse jogo podia servir pra outras coisas, como diagnóstico de Parkinson. Estamos aplicando sistematicamente para poder validar essa ferramenta. Por isso criamos uma atividade chamada AMPARO – Rede Neuromat de Apoio a Amigos e Pessoas com Doença de Parkinson”, conta.

Segundo ele, o jogo está sendo testado também como instrumento de avaliação de pessoas com lesão no plexo braquial, um conjunto de nervos que conduz sinais da medula espinhal para os membros superiores. O estiramento do sistema nervoso periférico nesses casos causa dificuldade de movimentos e a pessoa não consegue mais trabalhar.


“A operação que vai reconstruir pega uma ponta do sistema nervoso, conecta nos músculos intercostais e depois conecta no bíceps. Assim, se forma uma linha de comunicação que vai receber sinais tanto do braço, quanto dos músculos intercostais e ainda mandar de volta. É um recurso de plasticidade interessantíssimo que ainda queremos estudar. E o que pode fazer o jogo nesses casos? Ajudar os profissionais a avaliarem a evolução dessa reorganização no paciente e eventualmente no treinamento da pessoa”, diz o coordenador.

Perspectivas para Participação na Gestão Pública

Data: 21/06 às 15h
Local: Salão de Eventos do Centro de Tecnologia da Informação da USP Ribeirão Preto (CeTI-RP)
Inscrições gratuitas: Clique aqui

Após a Constituição de 1988, a sociedade civil ganhou maior espaço de participação nas administrações locais. Para discutir esse tema, o Grupo Políticas de Estado e Desenvolvimento do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP promove no dia 21 de junho, a partir das 15h, no Salão de Eventos do Centro de Tecnologia da Informação de Ribeirão Preto (CeTI-RP) da USP a mesa redonda Perspectivas para Participação na Gestão Pública. 

O evento terá a participação da docente da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP Cláudia Souza Passador, a docente do Departamento de Administração da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisadora do  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) Sheila Cristina Tolentino Barbosa e a coordenadora da pesquisa Efetividade da participação social no Brasil do Boletim de Análise Político-Institucional também do Ipea, Joana Luiza Oliveira Alencar. 

O Brasil pós-Constituição de 1988 trouxe um modelo inovador de articulação institucional, com uma estrutura político-administrativa baseada na descentralização, transferindo parte do poder decisório para os agentes locais da administração municipal. 

Como consequência concreta, houve mudanças na relação entre Estado e sociedade civil e a construção de diferentes espaços públicos, que visam tanto promover o amplo debate sobre temas muitas vezes excluídos de uma agenda pública, quanto se constituir como espaços de ampliação e democratização de gestão estatal. Esses espaços serão abordados pelas participantes durante o evento.

A mesa-redonda integra as atividades da Quinzena Nacional do Campo de Administração Pública, apoiado pela Sociedade Brasileira de Administração Pública.

Medicina genômica vai impactar formação e tomada de decisões do profissional de saúde

Uma revolução trazida pelo conhecimento adquirido com o sequenciamento do genoma humano está mudando a prática da medicina em todo o mundo. A medicina genômica, que utiliza dados obtidos a partir da análise do DNA, é capaz de detectar diversas doenças e vai exigir dos profissionais de saúde um entendimento cada vez maior sobre o assunto. Para falar sobre o futuro dessa área no Brasil e os impactos trazidos pela inauguração do Centro de Medicina Genômica do Hospital das Clínicas da USP em Ribeirão Preto, o USP Analisa recebe os professores do Departamento de Genética da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) Wilson Araújo da Silva Junior e Victor Ferraz.

Criado em 2012, o Centro oferece testes genéticos a pacientes atendidos pelo Hospital das Clínicas e está inaugurando uma estrutura própria, que vai melhorar o atendimento e colaborar com a formação de recursos humanos para a área. “A ideia principal desse espaço está ancorada em três pilares: a formação de recursos humanos, tanto de técnicos quanto de alunos de graduação e pós-graduação capazes de analisar e interpretar dados genômicos; o suporte à pesquisa em medicina genômica; e o oferecimento de serviços de diagnóstico molecular baseado em análise genômica”, explica Silva Junior.

Segundo o docente, a medicina genômica será uma importante ferramenta para auxiliar a tomada de decisões pelo profissional de saúde, semelhante ao papel que a medicina baseada em imagens desempenha hoje. Muitos países, inclusive, já estão investindo no sequenciamento do genoma da população para identificar alterações genéticas ligadas a doenças e assim estabelecer políticas públicas de prevenção.

A própria formação profissional na área da saúde vai sofrer mudanças com a inserção dessa nova técnica de análise. “É diferente de um exame tradicional. Ter ou não alteração nessa situação é delicado. Existem alterações que, de fato, vão causar a doença, alterações que não vão e alterações que precisam ser acompanhadas. Hoje, saber ou não sobre o risco de ter uma doença ou o risco reprodutivo é um direito do paciente e passa a ser um dever do médico abordá-lo”, diz Ferraz.

A entrevista vai ao ar na Rádio USP Ribeirão Preto nesta sexta (9), a partir das 12h, e na Rádio USP São Paulo na quarta (14), a partir das 21h. O USP Analisa é uma produção conjunta da USP FM de Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.


Genética influencia escolhas reprodutivas e até tratamentos médicos

A possibilidade de editar genes humanos para prevenir doenças hereditárias e também para selecionar características da preferência dos pais não é uma realidade tão distante assim. Mas quais dilemas éticos estão por trás de procedimentos que há bem pouco tempo pareciam apenas cenas de filmes de ficção científica? Esses foram alguns dos assuntos discutidos pela geneticista e docente do Instituto de Biociências da USP Mayana Zatz na conferência “GenÉtica: Escolhas que Nossas Avós não Faziam”, realizada pelo Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP na quarta-feira, dia 31. 

Mayana, que também coordena o Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-tronco, reuniu uma vasta coletânea de histórias ao longo de 40 anos de atuação no aconselhamento genético de famílias com doenças neuromusculares. Os casos ajudam a refletir sobre o papel dos profissionais da área na orientação de escolhas reprodutivas e que resultados dos testes devem, de fato, ser compartilhados com os pacientes.   

Um dos tópicos abordados por Mayana foi a questão da privacidade, pois com um conhecimento cada vez maior sobre o genoma humano, teme-se que escolas, empregadores e até mesmo operadoras de planos de saúde tenham direito de solicitar testes para detectar, por exemplo, genes ligados à inteligência ou à propensão para determinadas doenças. 

"A Grã-Bretanha autorizou, em 2000, empresas a exigirem testes genéticos de clientes que tivessem parentes portadores de Coreia de Huntington, sob pena de não fazer o seguro-saúde. Felizmente, nos Estados Unidos isso foi proibido. Mas no Brasil não há uma legislação específica". 

Seleção de embriões e manipulação de genes 

De acordo com a geneticista, já é possível evitar determinadas doenças genéticas nos casos de fertilização assistida por meio da seleção de embriões. “Você faz a fertilização e, quando há um embrião de 8 a 16 células, extrai-se uma ou duas células para checar a presença de mutação. Assim, somente embriões sem mutação são implantados, o que evita a interrupção da gestação”. 

Mas e se em vez de selecionar genes, os pesquisadores pudessem “editá-los”? Segundo Mayana, essa técnica existe e vai aumentar a possibilidade de consertar mutações. Intitulada CRISPR-Cas9, ela foi desenvolvida pela bioquímica norte-americana Jennifer Doudna e pela microbiologista francesa Emanuelle Charpentier.  

“Quais questões éticas isso vai levantar? A primeira é a pesquisa em células embrionárias. As cientistas acham que não deveríamos fazer pesquisa com essa tecnologia em células embrionárias. Eu defendo que sim. Se em vez de descartar um embrião que vai ter, por exemplo, uma mutação para o gene da distrofia de Duchenne, eu pudesse corrigir essa mutação e evitar que ela fosse transmitida a outras gerações, seria fantástico. Claro que ainda precisamos ter segurança para saber se estamos atuando somente sobre aquele gene ou sobre outros genes. Se a gente não fizer pesquisa, não vamos conseguir fazer isso nunca". 

Para Mayana, as pesquisas em genômica reservam outra revolução para a medicina: a farmacogenômica, que trará uma personalização muito maior aos tratamentos. Ela explica que variantes nos genes determinam respostas diferentes para drogas, o que faz com que cada pessoa responda de forma diferente ao uso de um mesmo medicamento. Testes genéticos permitirão determinar qual o melhor remédio e a dose mais apropriada para cada indivíduo. 

“A medicina do futuro será preditiva, personalizada, preventiva e participativa. A terapia gênica e celular permitirá substituir tecidos e órgãos e a morte será uma escolha, não um destino. A grande questão é: nós saberemos lidar com essa revolução?”

Sucesso do Pint of Science comprova interesse da população pela ciência

Mesas lotadas, copos cheios, olhares curiosos e um silêncio pouco comum em bares, mas típico de quem está profundamente interessado em um assunto. Esse foi o cenário predominante nos três dias do Pint of Science. O festival, que promoveu a divulgação científica em 11 países e 22 cidades brasileiras, foi realizado entre 15 e 17 de maio e registrou um público de aproximadamente 22 mil pessoas no Brasil. Em Ribeirão Preto, levou mais de mil pessoas tiveram a oportunidade de interagir com pesquisadores de diversas áreas em um ambiente bem diferente dos balcões de laboratórios e das salas de aula. Na cidade, o evento é organizado pelo Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP, pelo Centro de Pesquisas em DoençasInflamatórias (CRID) e pelo Centro de Terapia Celular (CTC).

A programação envolveu um cardápio variado de temas, desde o trabalho de peritos forenses, passando por comportamentos corruptos e pelos mistérios da consciência, até a Teoria Geral da Relatividade. Ao todo, cerca de 1120 pessoas estiveram presentes nos quatro bares que participaram do festival: Cervejarium, Galeria Artebar, Invicta e Lund.

“O sucesso da segunda edição do Pint of Science em Ribeirão Preto comprova o interesse da população pela ciência e a curiosidade em aprender sobre os mais diferentes assuntos. Este ano, a organização local conseguiu reunir uma variedade interessante de temas. As conversas foram mais abrangentes, passando pela física, química, neurociências, política, arquitetura e saúde. O evento também ganhou mais um bar sede, o Galeria Artebar, aumentando de três para quatro estabelecimentos. Com isso, ampliamos as mesas de debate de nove para 12 e proporcionamos um maior conforto para o público. Esperamos que o evento siga crescendo com as parcerias dos bares, das instituições de ensino e principalmente a participação dos ribeirão-pretanos e moradores da região”, afirma o coordenador local do Pint, Eduardo Loria Vidal.

Para os pesquisadores, o festival é uma boa oportunidade de mostrar ao público a importância do que é produzido entre os muros das universidades. O psicólogo, pesquisador e professor Vinícius Ferreira Borges, que está em seu segundo ano de participação, destaca o desafio de lidar, em um mesmo local, com pessoas que se relacionam de formas diferentes com a ciência, como observadores, consumidores, produtores e divulgadores de conhecimentos científicos.

“Estar no ‘palco’ do Pint of Science é uma experiência única, que testa ao limite a capacidade de comunicação do palestrante. O público é variado, incluindo pessoas da comunidade acadêmica e não acadêmica. Logo, é necessário que o discurso científico seja compreensível a todos, evitando, porém, a superficialidade. Vale notar também que o ambiente do bar está em constante mudança e movimento, sendo praticamente incontrolável. Por fim, e talvez o mais importante, tem-se um feedback imediato do público. De certa forma, é possível inferir sobre o grau de atenção e interesse das pessoas presentes com base no ‘volume do bar’ e nos questionamentos suscitados. Um ambiente relativamente silencioso durante a exposição e uma boa discussão gerada ao final podem ser indicadores valiosos do sucesso da palestra e do evento”, diz Borges.

Além de promover uma descontraída interação entre cientistas e o público em geral, o Pint of Science tem outra função de destaque dentro do contexto político e econômico atual: chamar a atenção para a importância dos investimentos em ciência em uma sociedade que é a principal financiadora desse trabalho por meio de impostos, mas que pouco compreende como isso produz benefícios para ela mesma.

“Ao final de cada bate-papo no bar, não há nada mais gratificante do que notar que o público entendeu o valor da ciência e que, sem ciência e tecnologia, não existe desenvolvimento, não existe saúde, não existe educação. O valor da contribuição que um festival desse porte pode propiciar ao Brasil no atual momento que a ciência brasileira vive é outro aspecto que deve ser ressaltado. O cenário é de cortes violentos no orçamento, fusão do Ministério e redução de bolsas de pós-graduação. Essa desvalorização da ciência é um reflexo da falta de comunicação entre a academia, a sociedade e a classe política”, afirma a coordenadora nacional do festival, Natália Pasternak Taschner.

Cenário de crescimento

Realizado no Brasil desde 2015, o Pint of Science vem crescendo a cada ano e a versão brasileira tem ganhado destaque entre os demais países. “A página brasileira do festival no Facebook já é a maior entre os países que promovem o Pint. Atualmente, temos 16 mil curtidas e as publicações da edição 2017 foram visualizadas por um milhão de pessoas”, afirma o coordenador de mídias digitais João Henrique Rafael Junior.


Em 2018, a tendência é que o Pint of Science tenha um crescimento ainda maior. Segundo os organizadores, o evento deve chegar a mais 50 cidades, além das participantes deste ano, e atingir as cinco regiões brasileiras.

USP Analisa debate influência da inteligência artificial no cotidiano

Nos carros, nos aviões, na palma de nossas mãos e até mesmo nos aspiradores de pó. A inteligência artificial está cada vez mais presente no dia a dia, facilitando a vida das pessoas e influenciando a sociedade positiva ou negativamente. Para debater as consequências da inserção de robôs e máquinas inteligentes na vida da população, o USP Analisa desta semana traz o docente do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP Fernando Santos Osório.

Ao contrário do que muitos filmes de ficção científica apresentam, é praticamente impossível criar robôs com o mesmo grau de consciência dos seres humanos. “Gosto muito de diferenciar inteligência de consciência. Um ser pode ser inteligente, porém não ter consciência de suas ações e até de sua tomada da decisão. Ele faz isso para reagir e resolver determinada situação. O ser humano, esse sim, busca dar um sentido à vida, ter conforto, saúde, condições econômicas favoráveis”, explica Osório.

O professor aborda também as mudanças produzidas no mercado de trabalho pela inserção da tecnologia, mas ressalta que elas têm um caráter positivo. “São mudanças que vão dar um ganho do ponto de vista de qualidade de vida, social e têm o interesse de melhorar a vida das pessoas. É claro que vai causar uma relocação dessas pessoas, porém quem vai decidir se é desemprego ou relocação é o patrão. A robótica não é a causadora do desemprego, mas a ganância de algum empresário pode ser”.

Osório ressalta também a importância do estímulo ao contato dos estudantes com a tecnologia para estimulá-los a perceber o conhecimento científico como algo interessante, conceito presente na Olimpíada Brasileira de Robótica, uma das principais iniciativas da área no País.

“Quando você pega a física e a matemática, aquelas fórmulas que antes não faziam sentido, quando você aplica concretamente sobre um objeto, sobre o mundo real, essas fórmulas ganham sentido e os alunos descobrem que o que eles não gostavam era a ‘decoreba’, a maneira como a matéria era apresentada, e não a matéria em si”, diz.

A entrevista vai ao ar na Rádio USP Ribeirão Preto nesta sexta (2), a partir das 12h, e na Rádio USP São Paulo na quarta (7), a partir das 21h. O USP Analisa é uma produção conjunta da USP FM de Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.