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USP Analisa discute os 30 anos da Constituição


Em 2018, a Constituição atualmente em vigor no Brasil completa 30 anos. Elaborada em um período de redemocratização do País, ela ficou conhecida como Constituição Cidadã por ter a participação da própria sociedade em seu processo de construção, já que qualquer pessoa podia propor emendas e boa parte delas integram o texto. Para abordar esse tema, o USP Analisa desta semana recebe os professores da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP Eliana Franco Neme e Gustavo Assed.

Embora o Brasil já tenha passado por outras seis cartas magnas, a de 1988 trouxe como principal mudança uma maior importância para os direitos sociais, o que se refletiu inclusive na organização do texto. “A topografia do texto é muito esclarecedora nesse sentido. A Constituição trouxe o cidadão como protagonista e os direitos sociais incluídos nessa esfera de dignidade humana estão logo no começo”, explica Eliana.

Segundo Assed, apesar da lei priorizar os direitos sociais, tanto o Estado quanto a própria sociedade ainda desrespeitam a Constituição nesse sentido. “Os direitos sociais são vilipendiados diariamente no Brasil. O direito à saúde, à educação, ao esporte, esses direitos são desrespeitados de maneira contínua não só pelo Estado brasileiro, pela sociedade brasileira, nós temos um número imenso de pessoas excluídas”, diz.

O programa vai ao ar na Rádio USP Ribeirão Preto nesta sexta (13), a partir das 12h, e na Rádio USP São Paulo na quarta (18), às 21h, e no domingo (22), às 11h30. O USP Analisa é uma produção conjunta da Rádio USP Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.

Mudanças no processo de adoção são tema do USP Analisa


Cerca de oito mil crianças aguardam em instituições de acolhimento em todo o Brasil pela chance de ter uma nova família. Já o número de famílias interessadas em adotar é pelo menos quatro vezes maior. Para discutir os procedimentos de adoção no País e as recentes modificações feitas na legislação, o USP Analisa desta semana recebe o docente da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP Rubens Beçak.

Para ele, as alterações feitas em novembro trouxeram uma série de benefícios, principalmente em relação ao tempo de conclusão do processo, que foi fixado em 120 dias. “O grande mérito dessa alteração é fixar prazos mais exíguos para que os procedimentos de verificação dos processos todos envolvidos nesse procedimento sejam seguidos para que a gente consiga alocar aquelas crianças em condição de irem para uma nova família, serem adotadas definitivamente”, diz.

Outra alteração importante, segundo o docente, foi a regulamentação da possibilidade de apadrinhamento de crianças, que permite à família interessada na adoção ou mesmo qualquer outra família proporcionar passeios e conviver com essas crianças por períodos curtos de tempo. “Acho que isso é muito bem-vindo, pois muitas vezes percebemos que é necessária uma fase de acomodação, tanto da criança quanto da família ou da pessoa que quer adotar. Ela precisa conhecer a criança que tem em vista”, afirma Beçak.

As mudanças permitiram, inclusive, que o apadrinhamento seja feito também por pessoas jurídicas. “Por que não uma pessoa jurídica que tem condições, em determinados dias da semana, feriados, de dar condições de férias, lazer, uma vida melhor àquelas crianças? Acho que a legislação vem nesse sentido e é algo que vejo com bons olhos”, destaca.

O docente defende ainda que haja uma aceitação mais ampla da possibilidade de famílias estrangeiras adotarem crianças brasileiras. “Acho que temos uma resistência muito grande no Brasil a práticas de adoção internacional, talvez ainda presos num preconceito, um temor de que as crianças serão destinadas a práticas ilícitas. O melhor é que as crianças sejam colocadas em famílias nacionais, mas se isso não for possível, por que não facilitar a adoção internacional? O número de pessoas que querem adotar em países europeus é enorme e muitas vezes até preferem crianças mais velhas. É um fator que nós deveríamos refletir, porque a legislação sempre deve vir, na minha maneira de ver, para melhorar”, diz ele.

O programa vai ao ar na Rádio USP Ribeirão Preto nesta sexta (2), a partir das 12h, e na Rádio USP São Paulo na quarta (7), a partir das 21h. O USP Analisa é uma produção conjunta da USP FM de Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.


Nova legislação traz transparência a relações entre governo e terceiro setor

O Novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil começou a valer para os municípios no início deste ano. Mas a grande maioria das entidades, e até mesmo membros da administração pública, ainda têm dúvidas sobre as novas regras. Por isso, no dia 17 de agosto, a Fundação Waldemar Barsley Pessoa, em parceria com o Grupo de Sistemas Nacionais do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP), o Instituto Brasileiro de Estudos em Direito e Desenvolvimento (IBEDD) e a Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, promoveu um seminário com o objetivo de orientar sobre os novos procedimentos que deverão ser adotados.

A necessidade de planejamento e o cuidado com a prestação de contas foram os principais tópicos abordados durante o evento. O diretor da Unidade Regional do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo em Ribeirão Preto, Flávio Henrique Pastre, abordou o tema em sua palestra, com o apoio de duas representantes do Tribunal. Elas destacaram que, embora traga um aparente engessamento para a administração pública na gestão do recurso, a lei é fundamental para proporcionar segurança jurídica, participação social e transparência nos repasses.

Segundo as representantes, o planejamento vai auxiliar a administração pública a entender as próprias necessidades e dividir melhor as responsabilidades sobre o recurso, que antes recaíam apenas sobre as entidades. Elas ressaltaram ainda que, somente em 2015, 32 bilhões de reais foram repassados ao terceiro setor pelo Governo do Estado, por isso estabelecer um controle maior sobre os recursos é tão importante.

O promotor de justiça da Comarca de Franca Paulo Cesar Correa Borges lembrou que a principal motivação para a criação de novo marco regulatório foram escândalos entre 2011 e 2013 envolvendo repasses do Ministério dos Esportes a organizações não-governamentais. “Na ocasião, o próprio governo dizia que iria extinguir de vez os convênios com entidades. As investigações fecharam mais de 700 delas por fraudes entre 2011 e 2013. O que motivou o estabelecimento dessa legislação foi a repercussão de que falta fiscalização e há desvio de dinheiro. O novo marco regula parcerias entre a administração publica e organizações da sociedade civil. A regulamentação por si não é um problema, traz segurança jurídica, mas efetivamente traz exigências, deve fazer prevalecer o interesse público na execução”, diz ele.

Ele destacou ainda que a prestação de contas por parte das entidades vai aumentar a transparência da relação com a administração pública. “Um dos itens importantes nela será verificar o objetivo da parceria e o que vai orientar é o plano de trabalho, os resultados obtidos e o que foi feito com o dinheiro. O objetivo é tentar trazer àqueles que são de boa fé o conhecimento e o entendimento da necessidade de que precisam ser profissionais e observar os princípios de legalidade, legitimidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade, eficiência e eficácia”.

Embora o novo marco traga benefícios à relação entre administração pública e terceiro setor, o secretário da Educação de São Paulo, José Renato Nalini, considera a nova lei inibitória. “Quando a família se aproxima da escola, tudo vai melhor. A sociedade também pode se aproximar afetivamente da escola. Empresas, instituições e pessoas físicas podem se aproximar da escola e colaborar para que ela e o profissional de educação resgatem sua autoestima. Mas o novo marco regulatório traz tantos requisitos e regulações a serem comprovados que parece que invertemos o papel da boa fé e todos que desejam colaborar estão mancomunados numa conspiração para causar mal a quem precisa dessa aproximação”.

Já o docente da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP André Lucirton acredita que, apesar das polêmicas que a nova legislação suscita, ela trará uma maior profissionalização às relações entre o terceiro setor e a administração pública. “Estamos deixando o mundo das relações pessoais, das relações de favores e preferências para entrar no mundo das relações técnicas, impessoais, formais, ou seja, o que a gente chama na academia de burocracia, e que não é papelada, é um modelo de gestão. Estamos deixando um modelo familiar para um modelo mais estruturado, com tecnologia da informação, lógica de compras. Isso faz com que a gente precise se preparar e incorporar essa linguagem”.


O seminário é apenas uma das ações do projeto Capacitação de Organizações Públicas e da Sociedade Civil de Interesse Público. Os próximos passos incluem a capacitação de vinte entidades do terceiro setor apoiadas pela Fundação Waldemar Barsley Pessoa, tomando como base os procedimentos de adequação nos moldes exigidos pelo novo marco regulatório.