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Controle sanitário de alimentos é tema do USP Analisa

Boa parte da população brasileira desconhece como é feito o controle sanitário de alimentos no País, um processo importante para garantir a qualidade do que está chegando à mesa das pessoas e também a saúde pública. O tema ganhou visibilidade no ano passado, com a Operação Carne Fraca, que expôs um esquema de corrupção envolvendo fiscais sanitários e empresas do setor de carne, e mais recentemente com a Operação Trapaça, que apontou fraudes em laudos sobre presença de salmonella em alimentos para exportação. Para falar sobre esse tema, o USP Analisa desta semana traz o professor Eduardo Saad Diniz e as doutorandas Victória Vitti de Laurentiz e Sofia Bertollini Martinelli, todos da faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP.
Eles explicam que esse controle é feito de forma compartilhada por três órgãos: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Ministério da Agricultura e Pecuária e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “Na verdade, existe hoje uma grande crítica à forma como esse modelo se estabelece. Há uma desarticulação entre esses órgãos, uma falta de transparência que muitas vezes conduz a uma baixa efetividade na regulação de alimentos em matéria sanitária”, diz Victória. “Há também a questão de sobreposição de normas, porque muitas vezes esses órgãos editam normativas sobre os mesmos temas”, complementa Sofia.
Segundo eles, as operações Carne Fraca e Trapaça não alteraram o padrão de consumo de alimentos e nem mesmo trouxeram uma preocupação permanente em relação à segurança dos produtos que são consumidos, mas em comparação com outras operações mudaram a reflexão sobre o dano causado. “A gente tem na Lava Jato uma vitimização invisível. Você não se sente vítima dela, porém é cotidianamente vitimizado por ela. No rompimento da barragem da Samarco em Mariana, a vitimização é difusa, há distintas possibilidades de dano postas ali vitimizando as pessoas, o dano social, econômico e até custos morais e sociais. A grande novidade da Operação Carne Fraca é que o dano é concreto, está no seu prato de comida e essa é a grande oportunidade que a gente tem de resgatar o sentido da crítica à organização social do alimento no Brasil”, diz Diniz.
O programa vai ao ar na Rádio USP Ribeirão Preto nesta sexta (15), a partir das 12h, e na Rádio USP São Paulo na quarta (20), às 21h, e no domingo (24), às 11h30. O USP Analisa é uma produção conjunta da Rádio USP Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.

Consumo de transgênicos é tema do USP Analisa


O consumo de alimentos feitos com produtos transgênicos ainda traz preocupação a boa parte da sociedade brasileira. Afinal, todo produto transgênico faz mal à saúde? Para esclarecer essa questão, o USP Analisa desta semana conversa com o doutorando em Biologia Celular e Molecular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP Relber Aguiar Gonçales.

Segundo ele, o preconceito em torno dos transgênicos ainda é grande, mas em alguns casos, eles são fundamentais para a saúde. “Boa parte das pessoas não sabe, mas a insulina é um produto transgênico. Ela é produzida por uma bactéria e tem as mesmas características que a insulina humana. Diabéticos do mundo inteiro utilizam essas moléculas produzidas de forma transgênica”.

Relber explica que transgênicos produzidos no Brasil são regulamentados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) desde 2005. “Isso veio justamente para proteger as pessoas e para todo mundo entender que não há riscos no consumo de transgênicos. Um produto como esse leva de 10 a 13 anos para chegar às prateleiras e ser comercializado. Acho que nós, brasileiros, precisamos confiar em nossos cientistas. Temos um time de pesquisadores com conhecimento sólido nas universidades”, diz ele.

A entrevista vai ao ar na Rádio USP Ribeirão Preto nesta sexta (25), a partir das 12h, e na Rádio USP São Paulo na quarta (30), às 21h, e no domingo (3), às 11h30. O USP Analisa é uma produção conjunta da Rádio USP Ribeirão Preto (107,9 MHz) e do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP) da USP.