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Nova legislação traz transparência a relações entre governo e terceiro setor

O Novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil começou a valer para os municípios no início deste ano. Mas a grande maioria das entidades, e até mesmo membros da administração pública, ainda têm dúvidas sobre as novas regras. Por isso, no dia 17 de agosto, a Fundação Waldemar Barsley Pessoa, em parceria com o Grupo de Sistemas Nacionais do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto (IEA-RP), o Instituto Brasileiro de Estudos em Direito e Desenvolvimento (IBEDD) e a Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP, promoveu um seminário com o objetivo de orientar sobre os novos procedimentos que deverão ser adotados.

A necessidade de planejamento e o cuidado com a prestação de contas foram os principais tópicos abordados durante o evento. O diretor da Unidade Regional do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo em Ribeirão Preto, Flávio Henrique Pastre, abordou o tema em sua palestra, com o apoio de duas representantes do Tribunal. Elas destacaram que, embora traga um aparente engessamento para a administração pública na gestão do recurso, a lei é fundamental para proporcionar segurança jurídica, participação social e transparência nos repasses.

Segundo as representantes, o planejamento vai auxiliar a administração pública a entender as próprias necessidades e dividir melhor as responsabilidades sobre o recurso, que antes recaíam apenas sobre as entidades. Elas ressaltaram ainda que, somente em 2015, 32 bilhões de reais foram repassados ao terceiro setor pelo Governo do Estado, por isso estabelecer um controle maior sobre os recursos é tão importante.

O promotor de justiça da Comarca de Franca Paulo Cesar Correa Borges lembrou que a principal motivação para a criação de novo marco regulatório foram escândalos entre 2011 e 2013 envolvendo repasses do Ministério dos Esportes a organizações não-governamentais. “Na ocasião, o próprio governo dizia que iria extinguir de vez os convênios com entidades. As investigações fecharam mais de 700 delas por fraudes entre 2011 e 2013. O que motivou o estabelecimento dessa legislação foi a repercussão de que falta fiscalização e há desvio de dinheiro. O novo marco regula parcerias entre a administração publica e organizações da sociedade civil. A regulamentação por si não é um problema, traz segurança jurídica, mas efetivamente traz exigências, deve fazer prevalecer o interesse público na execução”, diz ele.

Ele destacou ainda que a prestação de contas por parte das entidades vai aumentar a transparência da relação com a administração pública. “Um dos itens importantes nela será verificar o objetivo da parceria e o que vai orientar é o plano de trabalho, os resultados obtidos e o que foi feito com o dinheiro. O objetivo é tentar trazer àqueles que são de boa fé o conhecimento e o entendimento da necessidade de que precisam ser profissionais e observar os princípios de legalidade, legitimidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade, eficiência e eficácia”.

Embora o novo marco traga benefícios à relação entre administração pública e terceiro setor, o secretário da Educação de São Paulo, José Renato Nalini, considera a nova lei inibitória. “Quando a família se aproxima da escola, tudo vai melhor. A sociedade também pode se aproximar afetivamente da escola. Empresas, instituições e pessoas físicas podem se aproximar da escola e colaborar para que ela e o profissional de educação resgatem sua autoestima. Mas o novo marco regulatório traz tantos requisitos e regulações a serem comprovados que parece que invertemos o papel da boa fé e todos que desejam colaborar estão mancomunados numa conspiração para causar mal a quem precisa dessa aproximação”.

Já o docente da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP André Lucirton acredita que, apesar das polêmicas que a nova legislação suscita, ela trará uma maior profissionalização às relações entre o terceiro setor e a administração pública. “Estamos deixando o mundo das relações pessoais, das relações de favores e preferências para entrar no mundo das relações técnicas, impessoais, formais, ou seja, o que a gente chama na academia de burocracia, e que não é papelada, é um modelo de gestão. Estamos deixando um modelo familiar para um modelo mais estruturado, com tecnologia da informação, lógica de compras. Isso faz com que a gente precise se preparar e incorporar essa linguagem”.


O seminário é apenas uma das ações do projeto Capacitação de Organizações Públicas e da Sociedade Civil de Interesse Público. Os próximos passos incluem a capacitação de vinte entidades do terceiro setor apoiadas pela Fundação Waldemar Barsley Pessoa, tomando como base os procedimentos de adequação nos moldes exigidos pelo novo marco regulatório.

Novo Marco Regulatório do Terceiro Setor

Data: 17/08 das 18h30 às 22h
Local: Auditório da Faculdade de Direito da USP Ribeirão Preto


A entrada em vigor do novo Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil trouxe diversas dúvidas a entidades do terceiro setor. Além disso, dificuldades financeiras e técnicas criam impedimentos ao cumprimento das normas estabelecidas pela legislação. Para orientar e esclarecer sobre essas mudanças, será realizado o seminário Novo Marco Regulatório do Terceiro Setor, no dia 17 de agosto, às 18h30, no auditório da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP.

O novo Marco Regulatório, representado pela Lei 13.019, regula o repasse de recursos públicos para as Organizações da Sociedade Civil, ou seja, o regime jurídico para as parcerias entre a administração pública e as organizações privadas sem finalidade lucrativa. Para repasses feitos pela União e pelos Estados, a lei entrou em vigor em janeiro de 2016. Já para os repasses dos municípios, a vigência começou no início deste ano. Segundo o Mapa das Organizações da Sociedade Civil, somente na região de Ribeirão Preto existem mais de três mil organizações desse tipo.

Participam como palestrantes o promotor de justiça da Comarca de Franca Paulo Cesar Correa Borges; o secretário da Educação de São Paulo, José Renato Nalini; o diretor do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Flávio Henrique Pastre; e o docente da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) da USP André Lucirton Costa e Gustavo Assed Ferreira, docente da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto (FDRP) da USP.

O evento é organizado e patrocinado pela Fundação Waldemar Barsley Pessoa, em conjunto com o Grupo de Sistemas Nacionais do IEA-RP, Instituto Brasileiro de Estudos em Direito e Desenvolvimento (IBEDD) e a Comissão de Pós-graduação da FDRP. 

A atividade integra o projeto Capacitação de Organizações Públicas e da Sociedade Civil de Interesse Público, cujo objetivo é capacitar organizações selecionadas tomando como base os procedimentos de adequação nos moldes exigidos na Lei 13.019. 

O seminário conta com o apoio da Rádio USP Ribeirão Preto. 

Mais informações: (16) 3315 0368 ou jhenrique@usp.br.




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