Mudanças climáticas globais e o papel do Brasil

Com Prof. Dr. Carlos Afonso Nobre
Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST-INPE)
Local: Salão de Eventos do Centro de Informática de Ribeirão Preto - USP (ver localização).
Data: 18/03/2011 (sexta-feira)
Horário: 14:00h
Informações: iearp@usp.br ou (16) 3602.0368

O aquecimento global tem se acelerado nas últimas décadas, acompanhado de elevação significativa do nível do mar e intensificação dos eventos climáticos extremos, como secas, chuvas intensas, furacões, etc., e esta questão é indubitavelmente o maior desafio ambiental global enfrentado pela humanidade. No Brasil, a temperatura média subiu cerca de 0,75ºC e a temperatura mínima subiu quase 1ºC nos últimos 50 anos e o nível do mar se elevou quase 20 cm durante o Século XX. Ainda que haja, no Brasil, uma crônica escassez de séries históricas de dados meteorológicos e climáticos, há várias evidências circunstanciais que nos permitiria afirmar que esses extremos já estão ocorrendo com maior frequência. Mudanças das características de extremos climáticos deflagradores de desastres naturais não se devem somente ao aquecimento global de origem antropogênica. Episódios de chuvas mais intensas vêm ocorrendo sistematicamente no Sudeste e Sul do Brasil. Uma pergunta relevante diz respeito a formas de adaptação a estes desastres naturais ou mesmo se a sociedade esta consciente sobre a necessidade de adaptação.

O Brasil é potencialmente muito vulnerável a mudanças climáticas e pouco se sabe sobre os seus impactos no país. Além disso, falta identificar de forma precisa nossas vulnerabilidades na agricultura, nas zonas costeiras, na saúde humana, nos recursos hídricos, nas energias renováveis, nos ecossistemas naturais e biodiversidade, nas grandes cidades e na indústria. No campo da mitigação dos gases de efeito estufa, a grande contribuição que o Brasil pode dar ao esforço mundial de estabilizar suas concentrações atmosféricas em níveis considerados menos "perigosos", deve obrigatoriamente se dar pela redução significativa das emissões provenientes dos desmatamentos da floresta tropical e dos cerrados. O país pode escolher uma trajetória de desenvolvimento limpo e tornar-se uma verdadeira "potência ambiental".

A palestra é gratuita e sem necessidade de inscrição.

Sobre Carlos Afonso Nobre: Formado em Engenharia Eletrônica em 1974, no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos. No final de 1975, ingressou no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, o que despertou seu interesse científico pela Amazônia. Fez doutorado em Meteorologia no Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos EUA, onde permaneceu de 1977 a 1982, e envolveu-se com meteorologia dinâmica da região tropical, trabalhando com o prof. J. Charney e o prof. J. Shukla. Em 1983, ele se juntou ao INPE, onde trabalha atualmente.

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